Está na hora de desistir



E aqui estou eu, rodeada por quatro paredes em branco. Os quadros foram roubados, a mesa foi vendida, sobra apenas uma cadeira onde outrora estiveste a ler um pouco mais de mim. 
Agora é a minha vez, vou sentar-me e observar, de olhos fechados, cada recanto de ti. Está na hora de me despedir e ao mesmo tempo guardar-te para sempre. 
Desejo calar a tua voz  que não me diz aquilo que eu quero ouvir e cegar o teu olhar porque ele não brilha para mim. Tenho que baixar este ritmo cardíaco que acelera a cada movimento teu e apagar o sorriso rasgado que desenhas no meu rosto. 
Só mais um pouco, aqui sentada, e já não saberei o teu nome, já não te colocarei acima de mim, nem pintarei de novo o teu rosto nas minhas telas. 
Resta-me apenas abrir os olhos na esperança de não estares aqui todavia, tenho medo de os abrir, tenho medo que está sala continue vazia (que nem eu) e que tenha de partir novamente sozinha...mas assim que despeço de ti!



Turn it off





És como um relógio parado, um domingo sem sol, uma ponta espigada, um jarro sem flores.
És uma arma carregada apontada na minha cabeça, és as lágrima que me percorre o rosto nas noites geladas. 
És das piores sensações que posso ter, colocas-me a prova todos os dias, invades-me a cada segundo e tu não passas de uma tremenda ilusão. 
És a brisa que me arrepia o coração, que me constrói e destrói ao mesmo tempo. És algo banal, que me incomoda incessantemente.
Ao fim de contas, despertaste em mim o meu lado sentimental, que mais uma vez vou ter de desligar porque, apesar de ele te querer, tu não és o melhor para mim!



todas as obras de arte são indistinguíveis



Sou uma pessoa fria, que pensa demais e sente de menos. 
Detesto sinceridade inconveniente, falo sozinha e  sou pouco exigente. 
Gosto do frio e da chuva do inverno, não gosto de praia e o fim-de-semana aborrece-me. 
Quero conquistar o meu mundo de uma forma fugaz, sonho ser reconhecida por alguma coisa e desejo morrer tranquilamente.
As vezes tenho vontade de extraditar meio mundo, há momento que a minha melhor companhia sou mesmo eu, e a solidão por vezes torna-se uma necessidade.
Assumo-me uma pessoa demasiado observadora, demasiado racional, demasiado desapegada, demasiado vazia.
E sim, eu confesso, o meu sorriso é uma protecção, a escrita é uma fuga, a frieza é uma defesa e a preocupação é um trunfo.

Talvez um dia a gente se encontre por aí




Tu ainda não sabes mas nós viveremos uma das mais belas histórias de amor.
Talvez eu nem saiba o teu nome, talvez tu nem conheças o timbre da minha voz, talvez nós até já caminhemos lado a lado, só que ainda não sabemos que pertencemos um ao outro. 
Quero que saibas que eu ainda não te disse nada, ainda não senti um terço, guardo cada sorriso, cada olhar, cada palavra, guardo o teu lugar no meu coração e o sentimento na razão, por que afinal tu és o meu nome escrito do avesso.