DIZEM QUE FINJO OU MINTO



FERNANDO PESSOA

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir, sinta quem lê!




Pudesse eu tê-lo conhecido...

A vida não é um conto de fadas



A vida é de facto o maior desafio da raça humana. Há quem passe por ela de sorriso no rosto, há quem passe por ela para perceber qual é o limite do sofrimento humano...

E assim termina a história entre a Marta e o Francisco...pudesse ser esta única no mundo, mas a vida gosta de um bom drama!

“Faz por esta altura três anos que nos conhecemos. Lembro-me como se fosse hoje, esse teu olhar meigo, a tua voz delicada, o sorriso encantador e a tua maneira de ser fez-me tremer por dentro e acertou em cheio no código que abria o cofre do meu coração. Descobri contigo muito mais do que é que é ser o amor, contigo descobri o que é uma verdadeira amizade. Como tu me dizias muitas vezes: “A amizade também é um casamento. Onde tem que haver respeito, lealdade e compromisso para com o outro.” E tu de facto cumpriste sempre esse “casamento” estives-te sempre lá, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, só mesmo a morte nos iria separar. Recordando tudo o que ficou para trás só me apetece rir. Éramos tão garotos juntos.
Hoje percebo que independentemente do que sinto, do que sentias, ou do que sentíamos, eu não sou nem nunca mais serei, “eu” depois desta tua partida. Queria tanto que o tempo voltasse atrás, seria tudo diferente, sem exigências, sem propostas, sem restrições e sem obrigações. Simplesmente te queria aqui, para que juntos voltássemos a conquistar o mundo com uma simples brincadeira. Tal como antes.
A palavra desculpa não chega para demonstrar o quanto estou arrependido, de teres partido sem te poder dizer aquilo que a minha mente sempre reprimiu do meu coração. Perdi aquilo que mais precioso tinha de ti. Perdi a mulher que mais me encantou na vida, perdi o meu lado racional. Perdi a minha terceira perna, perdi um dos “O´s” do O2, perdi-te a ti!
Estes últimos dias de negação comigo mesmo estão a dar cabe de mim. Fingi que tinhas apenas ido comprar um maço tabaco, como fazias tantas vezes quando me deixavas sozinho.Em tempos dizias “Se estiveres feliz eu serei feliz na infelicidade de não te ter a meu lado.” Mas eu não o consigo ser se não estiveres aqui. Preciso desse teu abraço, preciso do teu aconchego, preciso de TI! Porque o Francisco só faz sentido com a Marta, de que me vale olhar para o céu se eu nem sei se é realmente ali que estás?...poderei eu amar-te noutra vida?


Com amor, Francisco.”


Está na hora de desistir



E aqui estou eu, rodeada por quatro paredes em branco. Os quadros foram roubados, a mesa foi vendida, sobra apenas uma cadeira onde outrora estiveste a ler um pouco mais de mim. 
Agora é a minha vez, vou sentar-me e observar, de olhos fechados, cada recanto de ti. Está na hora de me despedir e ao mesmo tempo guardar-te para sempre. 
Desejo calar a tua voz  que não me diz aquilo que eu quero ouvir e cegar o teu olhar porque ele não brilha para mim. Tenho que baixar este ritmo cardíaco que acelera a cada movimento teu e apagar o sorriso rasgado que desenhas no meu rosto. 
Só mais um pouco, aqui sentada, e já não saberei o teu nome, já não te colocarei acima de mim, nem pintarei de novo o teu rosto nas minhas telas. 
Resta-me apenas abrir os olhos na esperança de não estares aqui todavia, tenho medo de os abrir, tenho medo que está sala continue vazia (que nem eu) e que tenha de partir novamente sozinha...mas assim que despeço de ti!



Turn it off





És como um relógio parado, um domingo sem sol, uma ponta espigada, um jarro sem flores.
És uma arma carregada apontada na minha cabeça, és as lágrima que me percorre o rosto nas noites geladas. 
És das piores sensações que posso ter, colocas-me a prova todos os dias, invades-me a cada segundo e tu não passas de uma tremenda ilusão. 
És a brisa que me arrepia o coração, que me constrói e destrói ao mesmo tempo. És algo banal, que me incomoda incessantemente.
Ao fim de contas, despertaste em mim o meu lado sentimental, que mais uma vez vou ter de desligar porque, apesar de ele te querer, tu não és o melhor para mim!



todas as obras de arte são indistinguíveis



Sou uma pessoa fria, que pensa demais e sente de menos. 
Detesto sinceridade inconveniente, falo sozinha e  sou pouco exigente. 
Gosto do frio e da chuva do inverno, não gosto de praia e o fim-de-semana aborrece-me. 
Quero conquistar o meu mundo de uma forma fugaz, sonho ser reconhecida por alguma coisa e desejo morrer tranquilamente.
As vezes tenho vontade de extraditar meio mundo, há momento que a minha melhor companhia sou mesmo eu, e a solidão por vezes torna-se uma necessidade.
Assumo-me uma pessoa demasiado observadora, demasiado racional, demasiado desapegada, demasiado vazia.
E sim, eu confesso, o meu sorriso é uma protecção, a escrita é uma fuga, a frieza é uma defesa e a preocupação é um trunfo.

Talvez um dia a gente se encontre por aí




Tu ainda não sabes mas nós viveremos uma das mais belas histórias de amor.
Talvez eu nem saiba o teu nome, talvez tu nem conheças o timbre da minha voz, talvez nós até já caminhemos lado a lado, só que ainda não sabemos que pertencemos um ao outro. 
Quero que saibas que eu ainda não te disse nada, ainda não senti um terço, guardo cada sorriso, cada olhar, cada palavra, guardo o teu lugar no meu coração e o sentimento na razão, por que afinal tu és o meu nome escrito do avesso.


We kissed, I fell under your spell




É aquela sensação que desenha em mim um sorriso descontrolado no rosto. Que embebeda o meu estômago e que anula qualquer consciente. É o querer desmedido. É o desenho constante da irrealidade. Um desejo irrealizado, uma negação atroz. Um arrepio na espinha, um beijo congelado. Há em nós um olhar tropeço e um amor "desamado".

Assim é a nossa história...escrita por mim! 


Há dias em que saber viver se torna arte!




Hoje sinto-me na pele de um artista. 
Tenho o cérebro em efervescência e o meu sangue deu lugar à cafeína outrora devorada.  
Mas não me sinto um artista qualquer, hoje sou daqueles frios e sombrios, que não se sentem seguros e não sabem o que fazer com isso. 
Daqueles artistas que queriam conseguir controlar os seus demónios ao invés de se deixarem controlar por eles. E hoje estou como eles, sozinha...ou talvez tenha bebido demais.


"A gente aceita o amor que acha que merece"




Meu amor, correrei o mundo por ti. Não seria ninguém se não te tivesse aqui, se não sentisse o teu cheiro, se não acompanhasse cada batida do teu coração. 
Meu amor, sabes que te defenderei até ao fim. Direi sim a todas as tuas vontades, porque afinal eu amo-te e não te posso perder por nada deste mundo. 
Meu amor, entreguei-te a minha alma e deixei de ter vida para viver a tua. Podes ter a certeza que abdique-rei de cada sorriso meu se isso implicar ver-te sorrir. 
Meu amor, assumirei a culpa a cada falhanço nosso. Afinal tu és aquilo que sempre sonhei para mim, independentemente do sofrimento que isso me possa causar.

....há quem diga que é amor, eu prefiro chamar-lhe outra coisa, mas "não sou ninguém para julgar o amor dos outros, longe de mim."


She is your firts love, I intend to be your last...horever long its takes




Espero que sejas o melhor. Espero que te amem incondicionalmente. Espero que vejas o amanhecer. Espero que te façam chorar de tanto rir. Espero que realizes cada sonho teu. Espero que brindes ao pôr-do-sol. Espero que venças cada batalha. Espero que tenhas uma vida da qual te orgulhes e se isso não acontecer, espero que tenhas a força necessária para começar de novo. Espero ouvir falar de ti daqui a muitos anos. Espero que nunca deixes de sorrir com os olhos. Espero que não percas esse teu jeito de andar. Espero que sejas feliz. Espero que tenhas um cão. Espero que sejas capaz de morrer por alguém. Espero que um dia te lembres de mim...



Hoje estou...assim



Está tudo mais ou menos assim, sei lá mais ou menos bom mas nem tanto, também não está mau, está mais ou menos um aceitável meio médio.
Na verdade está assim, meio assim...

Eu não sei saber de mim




O meu barco continua à deriva num mar que nem horizonte tem, pior que isso é que continua sozinho e com medo de naufragar. Mas não para de remar, anda a ver o que a vida lhe dá, esquecendo-se que ele é que tem que lutar por ela. Todavia está demasiado cansado para se (re)lembrar disso e acho que se o marinheiro deste tardar muito mais adivinha-se um próximo Titanic!

Gostaria de não ter coração - que outra pessoa qualquer, que gostasse de mim o tivesse.




Tenho o meu amor, como toda a gente, mas não o usei. Tenho também a minha história, mas não a contei. O romance que escrevi, escrevi-o para quem não quer saber dos amores ou das histórias de ninguém. Não contei nem inventei nada. Não usei nem pessoas nem personagens. Fugi. Quis mostrar que pertencia ao mundo onde o amor, como as histórias e os romances, existem só por si. Como se me dirigisse a alguém. Outra vez.

Miguel Esteves Cardoso, O Amor é Fodido

Tenho tudo, sem saber o que tenho, achando que não tenho nada



Tenho frio. Tenho medo. Tenho dor. Tenho um sol. Tenho um mar. Tenho vários desejos. Tenho duas caras. Tenho um cérebro que manda mais que o coração. Tenho vida. Tenho um cubo de gelo. Tenho pessoas inesquecíveis. Tenho a mania. Tenho olhos castanhos. Tenho sonhos irrealizáveis. Tenho fome de amor. Tenho saudades do que tenho e do que nunca tive.
Tenho o mundo numa mão...numa mão que não é minha!


Um cérebro que não para de te trazer até mim!



E já lá vão três meses, disse que não voltaria a escrever sem ti mas continuo quebrada, sem forças, com dificuldades em respirar e com o cérebro a rebentar...há quem diga que tem o coração partido, eu tenho o cérebro aos tombos!
Sabes, dói pensar em ti todos os dias, dói imaginar o teu cheiro, o teu toque e o timbre da tua voz, mas sabes o que mais me dói? É o espaço que ocupas em mim, sem estares cá!




Troca de papeis




No dia em que vires alguém sofrer e preferires estar no seu lugar, sorri, tu amas essa pessoa verdadeiramente.


O que causa dor não é o amor, é a falta dele.


Há quem diga que o amor é cego.
Há quem diga que o amor não tem cor.
Há quem diga que o amor não tem idade.
Há quem diga que o amor não se explica.
Há quem diga que o amor é só imaginação.
Há quem diga que se ama só uma vez na vida.
Há quem diga que o amor vem de dentro para fora.
Há quem diga que o amor rouba a capacidade de pensar.
Há quem diga que diga que o amor vem e vai durante toda a vida.
Há quem diga que o amor tem razões que a própria razão desconhece.


Mas será que esta gente não se cala? Eu não quero saber como é o amor, eu apenas quero senti-lo!


Déjà vu V - Atocha




O comboio partiu há instantes. O relógio marcava as 06:18, a estação estava praticamente vazia e o frio estalava-me os ossos. Desta vez nem o sol veio para te ver partir. 
Foi doloroso e tranquilizador ao mesmo tempo, levavas contigo os meus segredos, os meus medos, as minhas dúvidas, o meu amor, levavas tudo o que me completava, cheguei mesmo a ficar vazia. Mas por outro lado, tive em mim a certeza que contigo também levarias todo o sofrimento deste amor desleal e só assim poderia seguir em frente, só assim poderia voltar a reconstruir-me, só assim poderia voltar a ser eu. Foi o último comboio que vi partir, foi a última vez que me senti vazia, nunca uma despedida foi tão ansiada, nunca um adeus foi tão aliviante.

Boa viagem, espero que estejas bem, e não te preocupes comigo, eu já apanhei o metro.